A lógica do cisne negro

A Lógica do Cisne Negro, a história de Dr. John e Tony Gorducho

Essa semana eu ministrei instrução de educação financeira para os recrutas. Ao todo foram 150 jovens recebendo informações de como administrar seus rendimentos, controlar seus gastos, consumir com consciência, poupar, investir e não cair em fraudes. Ainda faltam 50 recrutas que ficaram para a próxima semana.

Em primeiro lugar, gostaria de dizer que me surpreendi com a quantidade de jovens que já trabalhavam antes de ingressarem na FAB. Também tinha um número considerável que tinha algum dinheiro poupado e já faz um controle de gastos.

É interessante ver como os jovens são diferentes de região para região. Quando estava no Rio Grande do Sul, não tinha a mesma proporção de jovens com um certo nível de educação financeira e isso atribuo, talvez, à necessidade de ajudar a família.

Entretanto, o que quero trazer é a reflexão deixada para eles e que absorveram muito bem. A de que seu bem estar financeiro e, provavelmente de sua família, só depende deles. Conversamos bastante sobre como fazer economias e como se planejar para atingir metas de curto, médio e longo prazo. E é aqui que eu quero trazer uma outra reflexão, a de como você enxerga as coisas ao seu redor.

Como você enxerga as coisas ao seu redor?

Na nossa conversa, quase a totalidade dos recrutas concordaram que, para ter uma melhora na qualidade de vida, basta que eles mesmo tenham a iniciativa. Alguns já tinham até um empreendimento pequeno com outros familiares. O mais importante é que eles entenderam, que não vão ganhar nada de graça, nem de ninguém, nem do governo.

Quando pergunto como você enxerga as coisas ao seu redor é porque muitas pessoas acabam fantasiando situações e soluções para a própria vida. Ainda há uma ilusão de que o governo é obrigado a prover saúde, segurança, educação dentre outras coisas e por isso eu não vou buscar ter algo melhor.

Você precisa olhar o mundo com olhos de quem é independente e busca realizar suas necessidades por conta própria. Não pode esperar nada de ninguém. E quando alguém tentar te induzir apresentando algo que pareça justo, continue olhando a situação com olhos críticos.

A Lógica do Cisne Negro

A Lógica do Cisne Negro - Nassim Nicholas Taleb

Nassim Nicholas Taleb é um matemático Líbano-americano que escreveu excelentes livros tratando de incertezas e eventos imprevisíveis. Um livro muito famoso é A Lógica do Cisne Negro onde ele define Cisne Negro como um evento improvável. O livro é muito interessante e vou deixar ele aqui embaixo para quem quiser adquirir.

Falando de olhar ao seu redor e não se deixar enganar por narrativas, mesmo que pareça ter boas intenções. E aqui, quero trazer um trecho do livro, para ajudar a você a pensar, mesmo que alguém te dê uma premissa como verdadeira.

O trecho abaixo foi extraído do Livro de Nassin Nichola Taleb, A Lógica do Cisne Negro

John de fora do Brooklyn

Descobri a perfeita pessoa de fora do Brooklyn em alguém que chamarei de Dr. John. Ele é um ex-engenheiro que trabalha como atuário para uma companhia de seguros. Ele é magro, rijo e usa óculos e um paletó escuro. Vive em Nova Jersey, não muito distante de Tony, mas os dois certamente se esbarram muito pouco.

Tony nunca pega o trem e, na verdade, nunca viaja para ir ao trabalho (ele dirige um Cadillac, às vezes o conversível italiano da mulher, e brinca que é mais chamativo do que o resto do carro). Dr. John é um mestre da agenda — tão previsível quanto um relógio. Ele lê o jornal com calma e eficiência no trem para Manhattan, então o dobra com cuidado para continuar com a leitura no horário de almoço.

Enquanto Tony enriquece donos de restaurantes (eles ficam radiantes quando o veem entrar e trocam abraços calorosos com ele), John embrulha meticulosamente seu sanduíche todas as manhãs e leva uma salada de frutas em um pote de plástico. Quanto ao guarda-roupa, ele também usa um paletó que parece ter saído de um catálogo na Web, só que é muito provável que ele de fato o tenha comprado dessa forma.

Dr. John é um homem dedicado, ponderado e gentil. Leva o trabalho a sério, tão a sério que, diferentemente de Tony, pode-se perceber uma linha na areia separando seu horário de trabalho das atividades de lazer. Ele tem doutorado em engenharia elétrica pela Universidade do Texas em Austin. Como conhece computadores e estatística, foi contratado por uma companhia de seguros para fazer simulações em computadores — ele gosta do trabalho. Boa parte do que faz consiste em executar programas de computador para “gerenciamento de risco”.

Sei que é raro que Tony Gorducho e Dr. John respirem o mesmo ar, e muito menos que se encontrem no mesmo bar, então considere que isso seja puramente um exercício mental. Farei uma pergunta a cada um e compararei as respostas.

NNT (ou seja, Nassim Nicholas Taleb): Presuma que uma moeda é honesta, ou seja, possui chances iguais de dar cara ou coroa quando jogada. Jogo a moeda 99 vezes e em todas o resultado é cara. Quais são as chances de tirar coroa na próxima jogada?

Dr. John: Esta é uma pergunta trivial. Meio a meio, é claro, já que você está pressupondo que há 50 por cento de chance para cada opção e independência entre as jogadas.

NNT: O que você diz, Tony?
Tony Gorducho: Eu diria que não mais do que 1 por cento, é claro.
NNT: Por quê? Passei-lhe a premissa inicial de uma moeda honesta, o que significa que há 50 por cento de chance para cada resultado.
Tony Gorducho: Ou você está falando besteira ou é um grande trouxa por acreditar nessa história de “50 por cento”. A moeda deve estar viciada. Não é possível que seja um jogo honesto. (Tradução: É muito mais provável que suas premissas sobre a honestidade da moeda estejam erradas do que a moeda dar 99 caras em 99 jogadas.)

NNT: Mas Dr. John disse 50 por cento.

Tony Gorducho (sussurrando no meu ouvido): Conheço esses caras que são como exemplos de nerd da época em que trabalhei no banco. Eles pensam devagar demais. E são comoditizados demais. Podemos enganá-los facilmente.

A lógica do cisne negro

Conclusão

Procure enxergar as coisas ao seu redor com seu olhar crítico e não do jeito que alguém está te dizendo que algo é justo ou certo. Não acredite 100% em tudo o que falam pra você. As vezes uma coisa está exposta à nossa frente e custamos a acreditar, justamente porque alguém está dizendo o contrário.

O trecho do livro retrata bem uma pessoa que enxerga ao seu redor com pragmatismo e objetividade. Mesmo lhe dizendo que a moeda era honesta, a prática mostrava que era praticamente impossível cair 99 vezes do mesmo jeito.

Dr. John é uma pessoa metódica, engessada que acredita em tudo o que fala e Tony é uma pessoa que encara a vida do jeito que ele a vê e não se deixa enganar. Nessa história extraída do livro a Lógica do Cisne Negro, qual dos dois te representa?

Selva!

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